Dia da pessoa estagiária: entre aprendizados, desafios e descobertas

Em 18 de agosto de 1982, o governo brasileiro publicou o Decreto nº 87.497, que regulamentava a Lei nº 6.494/1977 e estabelecia regras para o estágio de estudantes. A publicação do decreto deu origem à celebração do Dia do Estagiário e Estagiária, comemorado todos os anos em 18 de agosto. 

Décadas depois, a Lei nº 11.788/2008, conhecida como Lei do Estágio, atualizou essas regras e consolidou o caráter educativo. A legislação estabelece direitos e limites, mas também deixa claro um ponto fundamental: estágio não é emprego. Trata-se de uma experiência que deve complementar a formação e aproximar o conhecimento adquirido nos estudos da prática profissional. 

Mas como essa experiência acontece na prática? A seguir, conheça os aprendizados, desafios e oportunidades que fazem parte da jornada de quem começa a carreira como pessoa estagiária. 

O cenário do estágio no Brasil atualmente

Segundo a Associação Brasileira de Estágios (Abres), mais de 20 milhões de estudantes no país estão aptos e aptas a estagiar, mas apenas cerca de 6% têm essa oportunidade. Isso representa aproximadamente 1,2 milhão de pessoas estagiárias ativas. O dado mostra que a modalidade ainda está longe de alcançar todo o seu potencial como porta de entrada para o mercado de trabalho. 

Para além das estatísticas, existe uma diferença importante entre ter um estágio e viver, de fato, uma experiência educativa. O valor dessa vivência depende da qualidade das tarefas, do suporte oferecido pela equipe, da abertura para fazer perguntas e da possibilidade de participar de projetos práticos. 

Presencial, home office ou híbrido: a modalidade também ensina 

Hoje, escolher um estágio não envolve apenas a empresa ou a área de atuação. O formato de trabalho também entra nessa decisão. Programas presenciais, remotos e híbridos fazem parte da realidade de muitas organizações, e cada modalidade oferece diferentes oportunidades de desenvolvimento. Confira mais detalhes: 

1. Estágio presencial

No modelo presencial, parte do aprendizado acontece de maneira espontânea. É acompanhar uma reunião, observar como alguém resolve um problema, participar de um debate de ideias ou simplesmente pedir ajuda quando surge uma dúvida. A proximidade física torna o convívio mais natural e amplia as oportunidades de aprender com a rotina. 

2. Estágio home office

No home office, a autonomia ganha protagonismo. A pessoa estagiária pode desenvolver a capacidade de gerenciar a própria rotina, administrar prazos e buscar soluções com mais independência. 

3. Estágio híbrido

O modelo híbrido combina momentos no escritório e à distância, permitindo aproveitar características de cada formato. 

Importante: não existe um modelo ideal para todo mundo. A escolha do melhor formato depende do perfil, das necessidades e do estilo de aprendizagem de cada pessoa. 

Direitos e deveres da pessoa estagiária

O estágio tem regras próprias. Como não se trata de vínculo empregatício, a Lei nº 11.788/2008 estabelece garantias e responsabilidades para que a experiência cumpra seu principal objetivo: o aprendizado

O que a lei garante à pessoa estagiária?

Para contribuir para uma rotina equilibrada, a legislação estabelece algumas garantias importantes: 

  • Remuneração e benefícios: nos estágios não obrigatórios, a bolsa-auxílio e o auxílio-transporte são obrigatórios. A pessoa estagiária também tem direito a recesso de 30 dias quando o estágio tiver duração igual ou superior a um ano, além de seguro contra acidentes pessoais. 
  • Jornada de trabalho: para estudantes do ensino superior, a jornada é limitada a seis horas diárias e 30 horas semanais. Nos períodos de avaliação, a carga horária deve ser reduzida pelo menos à metade, conforme estabelece o art. 10 da Lei nº 11.788/2008
  • Supervisão e orientação: o estágio deve contar com acompanhamento de uma pessoa supervisora na empresa e de uma pessoa orientadora da instituição de ensino. 

E quais são os deveres de quem estagia? 

Se, por um lado, a legislação estabelece direitos, por outro, também prevê responsabilidades. Para aproveitar a oportunidade de formação, a pessoa estagiária deve: 

  • Compromisso acadêmico: manter a frequência escolar regular e entregar os relatórios de atividades exigidos pela instituição de ensino nos prazos estabelecidos. 
  • Atuação profissional: cumprir as atividades previstas no Termo de Compromisso de Estágio (TCE) e seguir as orientações da pessoa supervisora na empresa. 
  • Conduta e ética: respeitar as normas internas da organização e zelar pela segurança dos materiais, equipamentos e informações aos quais tiver acesso. 

Como a empresa pode transformar o estágio em uma experiência de valor?

Proporcionar uma boa experiência de estágio exige intencionalidade. Para que a passagem pela empresa seja verdadeiramente educativa, a organização pode se concentrar em três pilares: 

  1. Mentoria e comunicação aberta: prepare quem fará a supervisão direta para oferecer direcionamento contínuo, manter uma rotina de feedbacks e construir um ambiente seguro para dúvidas, no qual errar e perguntar façam parte do aprendizado. 
  2. Desafios práticos e reais: inclua a pessoa estagiária em projetos relevantes para a equipe e alinhados à sua formação. Assim, ela pode aplicar conhecimentos teóricos e compreender o impacto do próprio trabalho. 
  3. Clareza de futuro: quando existe a possibilidade de efetivação de estagiário(a), é importante deixar claros os critérios e caminhos para isso. 

Na Ecto, estágio é aprendizado 

Se uma boa experiência de estágio é construída no dia a dia, nada melhor do que ouvir quem está ou já esteve nesse lugar. Eu também já fui estagiário e, olhando para trás, percebo que boa parte do que aprendi veio justamente dessa etapa. 

Foi durante o estágio que comecei a entender melhor a dinâmica de uma equipe, aprendi a lidar com prazos, recebi meus primeiros feedbacks e tive contato com situações que não apareciam na faculdade. Mais do que desenvolver habilidades profissionais, esse período também me ajudou a entender que tipo de profissional eu queria ser.

E uma parte importante desse processo esteve nas pessoas ao meu redor. Ter alguém para orientar, explicar quando eu tinha dúvidas e dar espaço para que eu pudesse aprender fez diferença para que o estágio fosse muito mais do que uma experiência para colocar no currículo.

Essa experiência aparece em diferentes momentos da trajetória profissional. Na Ecto, a Lavínia do time de conteúdo e a Paula do time de tecnologia começaram na agência como estagiárias e hoje podem olhar pra trás e reconhecer o que ficou desse período.

A Marina do time de tecnologia, por outro lado, está vivendo essa experiência agora. Cada uma, a partir de um momento diferente da carreira, compartilha um pouco do que o estágio representou e representa em sua trajetória. 

Para Lavínia: 

“Comecei como estagiária na Ecto em 2024, e uma coisa que me marcou desde a primeira conversa foi o contato com a Mell e a Carol, que conduziram minha seleção. Tive um problema de internet no dia da entrevista e não consegui aparecer em vídeo, algo que, para uma vaga remota, é meio essencial. Ainda assim, elas seguiram com a entrevista normalmente. No fim, acabei sendo aprovada, e isso já me deu uma boa ideia de como seria o ambiente na empresa.

Ao longo do estágio, o que mais senti foi que o ambiente nunca foi aquela coisa estritamente hierárquica, mas sempre muito horizontal e colaborativo. Tive espaço para tirar dúvidas, apontar algo que achava que estava errado ou sugerir melhorias, mesmo estando numa posição de estagiária e ainda aprendendo. Normalmente, a gente fica um pouco acanhado de fazer isso por estar cercado de pessoas já estabelecidas na área, mas nunca senti essa barreira aqui. Foi justamente esse espaço que me permitiu crescer e, com o tempo, chegar até a efetivação no time.”

Para Paula:

“Eu estava procurando um estágio enquanto passava por um processo de transição de carreira quando encontrei, no LinkedIn, o anúncio de uma vaga para Pessoa Desenvolvedora Full Stack na Ecto. Já durante o processo seletivo, ficou clara a cultura da empresa: tiveram o cuidado de estabelecer prazos, oferecer feedback em todas as etapas e manter um ponto de contato disponível para qualquer dúvida.

Durante meu período de estágio, fui muito bem recebida, aprendi muito e sempre fui incentivada a colocar meu ponto de vista e sugerir mudanças nos projetos em que trabalhava.”

Para Marina: 

“Antes de entrar na Ecto, passei por um curto período de perrengues. Mudei de cidade e tive que sair do estágio em que estava porque só podia atuar onde morava. Fiquei dois meses sem saber se conseguiria outro estágio na área, até aparecer essa vaga de estágio em Full Stack na Ecto.

Como muitos profissionais em busca de oportunidades, apliquei para várias vagas sem saber se conseguiria alguma coisa e, por incrível que pareça, essa foi a única que encontrei que era por formulário, o que acabou sendo uma vantagem para mim, porque um ser humano iria ver meu currículo. Depois, recebi o teste de estágio, passei pelas entrevistas e fui chamada, em outubro de 2025, para começar. Foi tudo tão rápido que até meus pais ficaram chocados.

Muitas coisas me surpreenderam e continuam me surpreendendo até hoje trabalhando na Ecto. Uma delas é que, apesar de ser uma empresa, às vezes parece que é só uma galera divertida que decidiu se reunir e trabalhar junto, sabe? É um ambiente leve e descontraído, e, na liderança, temos pessoas que se importam de verdade com o desenvolvimento de cada um.

Uma coisa que gosto de contar para todo mundo é que percebi que estava no lugar certo quando, no meu aniversário, fizeram uma reunião fake só para me dar parabéns, e eu jurando que ia passar batido porque era janeiro. 

Esse acolhimento me fez ter certeza de que trabalhar na Ecto seria uma experiência muito boa. Está sendo um período de muito aprendizado e desafios (aqui tive que ser clichê) e continuo seguindo na Ecto ao lado de todas essas pessoas incríveis que conheci.”


As experiências são diferentes, mas os relatos têm algo em comum: o estágio pode ser um espaço de aprendizado, troca e desenvolvimento quando existe abertura para participar e crescer.

Na Ecto, acreditamos que oferecer esse espaço também faz parte da construção de um ambiente em que as pessoas possam desenvolver seu potencial desde os primeiros passos da carreira. 

Porque, no fim, um estágio pode durar alguns meses, mas os aprendizados e as relações construídas nesse período podem acompanhar toda uma trajetória profissional. 

Leia também: Acessibilidade digital — o que é, importância e como promover 

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