Dia Mundial da Alfabetização e o que muda com a IA

Carol Picolo
7 min de leitura

Publicado em

4 de setembro de 2026

Atualizado em

28 de setembro de 2026
Garoto vestindo camiseta branca em ambiente com pouca iluminação, observando atentamente a tela de um notebook. Na tela e ao redor dela, há ilustrações digitais luminosas de ícones educativos — incluindo um player de vídeo, livro aberto, lâmpada, capelo, lupa e um tubo de ensaio —, além do texto "Education" em tom azul neon sobre um fundo digital.

 

Aprender a ler e escrever é considerado, desde 1948, um direito fundamental previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mais de 75 anos depois, essa conquista segue incompleta em boa parte do mundo, e é por isso que existe o Dia Mundial da Alfabetização, celebrado em 8 de setembro.

Mas o conceito de “saber ler” mudou. Hoje, entender um texto não é mais suficiente para se orientar no mundo: também é preciso entender como um algoritmo decide o que aparece na sua tela, ou como uma ferramenta de inteligência artificial chega a uma resposta.

É sobre essa alfabetização ampliada, da leitura ao letramento digital, que vamos falar hoje. Continue a leitura para saber mais!

De onde vem o Dia Internacional da Alfabetização?

A data tem origem no Congresso Mundial de Ministros da Educação sobre a Erradicação do Analfabetismo, realizado em Teerã em 1965. No ano seguinte, a UNESCO proclamou oficialmente o dia 8 de setembro como Dia Internacional da Alfabetização, durante sua 14ª Conferência Geral, e a data passou a ser celebrada anualmente a partir de 1967.

O objetivo era simples (e permanece atual): lembrar governos e sociedades de que a alfabetização é a base sobre a qual se constroem outros direitos, como o acesso à informação, ao trabalho e à participação na política.

Décadas depois, estima-se que ainda existam cerca de 739 milhões de pessoas adultas no mundo que não conseguem ler ou escrever frases simples, segundo o fact sheet Youth and Adult Literacy 2025, da UNESCO.

Alfabetização no Brasil: qual o cenário atual?

O Brasil vem reduzindo sua taxa de analfabetismo de forma consistente. Em 2025, o país registrou 4,9% de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais (o equivalente a 8,4 milhões de pessoas), menor índice da série histórica iniciada em 2016, segundo o IBGE.

O problema, porém, é fortemente concentrado por idade e região: pessoas com 60 anos ou mais representam 58% do total de pessoas analfabetas do país, e o Nordeste concentra a maior taxa entre as regiões, com 10,6%, ainda de acordo com o IBGE.

Sem considerar a população idosa, a taxa cai para 2,6% — um retrato de que as novas gerações têm acesso à alfabetização muito mais cedo do que as anteriores.

Alfabetização e letramento: qual a diferença?

Saber decodificar palavras não é o mesmo que saber usar a leitura e a escrita para resolver problemas do cotidiano. Essa diferença tem nome: letramento.

O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2024, estudo coordenado pela Ação Educativa em parceria com Fundação Itaú, Fundação Roberto Marinho, Instituto Unibanco, Unesco e Unicef, mostra que apenas 10% da população brasileira é considerada proficiente em leitura, escrita e matemática.

Isso significa que grande parte de quem “sabe ler” ainda tem dificuldade para interpretar textos mais longos ou fazer cálculos do dia a dia — o chamado analfabetismo funcional.

Pela primeira vez, em 2024, o Inaf também mediu o alfabetismo no contexto digital, e o resultado reforça que essas habilidades caminham juntas: entre as pessoas analfabetas funcionais, apenas 3% apresentam alto desempenho em tarefas digitais, contra 40% entre as alfabetizadas proficientes, segundo o Inaf.

Ou seja: quem tem mais dificuldade com a leitura tradicional também tem mais dificuldade para se orientar no mundo digital.

Leia também: Liberdade de pensamento – IA generativa e mediação humana

Alfabetização digital: o que os dados revelam?

Ainda segundo o Inaf, apenas 25% das pessoas brasileiras entre 15 e 64 anos têm alto desempenho em atividades digitais. A maioria se concentra em um nível intermediário, capaz de realizar tarefas básicas, mas com dificuldade diante de situações mais complexas, como avaliar a confiabilidade de uma informação ou configurar a privacidade de um aplicativo.

O acesso deixou de ser o principal obstáculo: em 2024, 88% das pessoas no Brasil declararam ter usado a internet pelo celular nos três meses anteriores à pesquisa, segundo a TIC Domicílios 2024, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que avalia o uso das tecnologias de informação nas famílias brasileiras.

O desafio atual não é mais entrar no mundo digital, mas conseguir se mover dentro dele de forma crítica e autônoma.

Letramento de IA: aprender a interpretar antes de usar

Essa lacuna fica ainda mais evidente quando o assunto é inteligência artificial. Uma pesquisa do Observatório Fundação Itaú, em parceria com o Datafolha, mostra que 93% das pessoas no Brasil já usam alguma ferramenta de IA no dia a dia — mas apenas 54% afirmam entender, de fato, o que é IA.

O mesmo levantamento aponta que a compreensão sobre IA cresce junto com a escolaridade e a renda: entre pessoas com ensino superior completo, 47% dizem que a IA está muito presente no seu dia a dia, contra 21% entre quem concluiu apenas o ensino fundamental.

É o mesmo padrão de desigualdade que o Inaf já havia identificado entre alfabetização e letramento digital — agora reproduzido em uma nova camada tecnológica.

Usar uma ferramenta não é o mesmo que compreender como ela funciona, quais dados utiliza ou onde pode errar. É exatamente esse hiato entre uso e compreensão que forma o conceito de letramento de IA: a capacidade de interpretar, questionar e usar essas tecnologias de forma crítica e não apenas operá-las.

Leia também: O que é a IA Explicável?

O que muda esse cenário, na prática?

Se usar uma tecnologia não é o mesmo que compreendê-la; reduzir essa lacuna exige mais do que acesso. Na prática, isso significa investir em ações concretas e contínuas, como:

  1. Linguagem acessível como padrão: comunicar com clareza, sem jargão técnico desnecessário, é uma forma direta de incluir mais pessoas na compreensão de temas complexos, sejam eles tecnológicos ou não.
  2. Educação continuada dentro das empresas: o aprendizado digital não termina na contratação. Uma formação constante sobre novas ferramentas evita que parte da equipe fique para trás.
  3. Conteúdo como ponte, não como jargão: explicar o “porquê” por trás de uma tecnologia, e não só o “como usar”, é o que de fato constrói letramento, em vez de apenas ensinar comandos.
  4. Parcerias com iniciativas educacionais: oferecer às pessoas colaboradoras acesso a plataformas de ensino é uma forma concreta de apoiar a alfabetização digital dentro da própria empresa — na Ecto, por exemplo, isso existe como benefício, com acesso aos cursos da Alura + FIAP para Empresas.

Por que isso importa para a Ecto?

Trabalhamos todos os dias com um material que depende diretamente de alfabetização e letramento: a linguagem. Nosso trabalho é traduzir informação técnica, de SEO, dados, tecnologia, etc., em conteúdo que qualquer pessoa consiga entender e usar.

Isso nos coloca, inevitavelmente, dentro da conversa sobre letramento digital e letramento de IA. Toda vez que simplificamos um conceito complexo em vez de escondê-lo atrás de termos técnicos, estamos fazendo a mesma aposta que motivou a criação do Dia Internacional da Alfabetização: a de que compreender é o que garante autonomia.

Os dados são claros: usar tecnologia não é o mesmo que entendê-la, e essa distância cresce exatamente entre quem menos tem acesso à educação. Acreditamos que empresas de comunicação têm um papel direto em reduzir essa distância.

Se você também acredita que conteúdo bem-feito é uma ferramenta de inclusão, e não só de conversão, fale com a gente!

Leia também: Dia Internacional da Igualdade Feminina – qual o cenário das mulheres no mercado de trabalho?

Imagem de capa — Fonte: @user21016237 / Magnific.com (2026)

Carol Picolo

Apaixonada pela língua portuguesa — da gramática normativa à sociolinguística, estudou Letras, na PUC-PR. Hoje atua na produção e revisão de conteúdo com foco em SEO, aplicando um “olhar clínico” para garantir que nada passe despercebido. Prioriza uma escrita humanizada, clara e acessível, com foco em diversidade, inclusão e sustentabilidade, sempre utilizando uma linguagem neutra e empática, conectando marcas à pessoas de verdade.

Fique por dentro do que gera resultados

 Descubra o que realmente move os resultados das marcas digitais. Toda semana, um conteúdo prático e estratégico para você aplicar no seu negócio.

Este campo é obrigatório.
Este campo é obrigatório.

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e pela Política de privacidade e Termos de Uso do Google.

Recomendados

Mãos de uma pessoa digitando no teclado de um notebook prata sobre uma mesa de madeira, com outras pessoas ao fundo.

Como trabalhar SEO para um site institucional?

Notebook sobre mesa com página inicial do Google aberta no navegador Chrome, ao lado de uma planta.

E-E-A-T: como aplicar na estratégia de conteúdo

Homem cadeirante sorrindo enquanto usa um tablet, em ambiente iluminado com sofá e estante ao fundo.

Dia Nacional da Pessoa com Deficiência: acessibilidade digital

Mãos digitando em um notebook sobre uma mesa de madeira, com ícones de Inteligência Artificial sobrepostos à imagem, incluindo um cérebro com a sigla "AI", engrenagens, gráficos e símbolos de conectividade global.

GEO: o que é, como funciona e seu impacto no SEO

Câmera em tripé grava um criador de conteúdo sorrindo em sua mesa de trabalho. O ambiente tem iluminação neon roxa e azul ao fundo.

10 dicas para criar conteúdo digital de qualidade

plugins premium WordPress

Falta pouco para começarmos a análise

Informações para contato

Este campo é obrigatório.
+55
Este campo é obrigatório.
Este campo é obrigatório.
Este campo é obrigatório.
Este campo é obrigatório.
Este campo é obrigatório.
Este site é protegido pelo reCAPTCHA e pela Política de privacidade e Termos de Uso do Google.

A Ecto tem um compromisso com sua Privacidade, portanto, ao clicar em ENVIAR os dados inseridos por você serão utilizados para possibilitar o nosso contato e lhe oferecer serviços que possam ser de seu interesse ou da empresa a qual você representa. Este formulário é destinado para maiores de 18 anos.

Você poderá cancelar o envio dessas mensagens a qualquer momento. Em caso de dúvidas acesse nossa Política de Privacidade