Pontos-chave:
- A data de 21 de setembro é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, que existe desde 1982 e foi oficializada pela Lei n.º 11.133/2005.
- O Brasil tem entre 14,4 e 18,6 milhões de pessoas com deficiência, mas apenas 2,9% dos sites brasileiros passam nos testes de acessibilidade digital.
- A Ecto está em processo de estruturação de um programa interno de acessibilidade digital, com ações já em andamento em áreas como conteúdo e mídia social.
Você sabia que 97% dos sites brasileiros reprovam nos testes básicos de acessibilidade digital? Segundo uma pesquisa da BigDataCorp em parceria com o Movimento Web para Todos, realizada com 26,3 milhões de sites ativos no país em 2024, apenas 2,9% passaram em todos os critérios de avaliação.
Além disso, de acordo com o Panorama de Acessibilidade Digital 2025 da Hand Talk, apenas 39% das pessoas com deficiência acreditam que os sites atendem às suas necessidades de navegação. Esses dados dizem muito sobre o abismo que ainda existe entre o que é produzido digitalmente e quem precisa acessar.
A data de 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, foi criada para lembrar justamente isso: a inclusão não acontece por acaso, é preciso intencionalidade — e, no ambiente digital, ainda há muito a construir.
Continue a leitura deste artigo para conhecer a origem da data, entender quem são as pessoas com deficiência no Brasil, o que as empresas podem fazer para ser mais inclusivas e como a Ecto está caminhando nessa direção.
O que é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência?
O dia 21 de setembro foi escolhido em 1982 pelo Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes (MDPD), organização que se reunia mensalmente desde 1979 para discutir propostas de transformação social, segundo o Senado Federal. A data coincide com o Dia da Árvore e a véspera da primavera — uma escolha simbólica que representa as reivindicações por inclusão e cidadania.
O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi oficializado somente em 2005, por meio da Lei Federal n.º 11.133, fruto de ação do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Mas sua história começa muito antes disso.
É preciso reforçar que, mais de 40 anos depois de sua criação, a data ainda carrega o mesmo propósito: lembrar que inclusão não se conquista uma vez; ela precisa ser reafirmada todos os dias.
PCD: o que é e quem são as pessoas com deficiência no Brasil?
A sigla PCD significa Pessoa com Deficiência; esse é o termo correto e adotado oficialmente no Brasil para se referir a esse público, de acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (Lei n.º 13.146/2015).
São consideradas PCDs as pessoas que possuem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que, em interação com barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
Segundo o Censo Demográfico 2022 do IBGE, o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência — 7,3% da população com dois anos ou mais. Considerando a metodologia da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, que inclui pessoas com dificuldades funcionais severas, esse número sobe para 18,6 milhões, ou 8,9% da população.
Os dados revelam desigualdades que vão além da deficiência em si. Apenas 26,6% das pessoas com deficiência estão no mercado de trabalho formal, e, quando conseguem emprego, 55% estão em situação de informalidade. Além disso, a renda média é 30% menor do que a de pessoas sem deficiência.
Esses números não existem por falta de capacidade; eles existem porque os ambientes — físicos e digitais — ainda não foram projetados para incluir a todas as pessoas e suas individualidades.
O marco legal da inclusão social no Brasil
O Brasil tem uma das legislações mais abrangentes do mundo em relação aos direitos de PCDs. As principais referências legais que toda empresa precisa conhecer são:
- Constituição Federal de 1988: garante às pessoas com deficiência o direito à igualdade, à educação, ao trabalho e à plena participação social.
- Lei de Cotas — Lei n.º 8.213/1991: estabelece que empresas com 100 ou mais pessoas colaboradoras devem reservar de 2% a 5% das vagas para PCDs.
- Lei Brasileira de Inclusão — LBI, Lei n.º 13.146/2015: o principal marco legal, que assegura e promove o exercício dos direitos das pessoas com deficiência em igualdade de condições. Essa norma inclui a obrigatoriedade de acessibilidade em sites de empresas e órgãos públicos.
- ABNT NBR 17225/2025: publicada em março de 2025, é a norma técnica brasileira para acessibilidade em conteúdos e aplicações na internet, baseada nas diretrizes internacionais WCAG 2.2. É o padrão de referência para quem quer garantir conformidade no ambiente digital.
Mas, por mais que existam diversas normas e orientações específicas, a luta da pessoa com deficiência ainda é necessária. O problema, na maioria dos casos, é a distância entre o que está escrito e o que é praticado na vida real.
Leia também: O que é conteúdo escaneável e como aplicá-lo na prática
Acessibilidade digital: o que é?
Quando falamos em acessibilidade digital, estamos falando de garantir que qualquer pessoa, independentemente de condição física, sensorial, cognitiva ou de contexto, consiga acessar, entender e interagir com conteúdos e plataformas digitais.
Para uma pessoa com deficiência visual, por exemplo, o acesso a um site depende de um leitor de tela, que é um software que lê o conteúdo em voz alta para a navegação.
Mas, para que ele funcione, cada texto, elemento e imagens precisam ser pensados para que somente o texto lido seja compreensível. Vamos conferir um exemplo abaixo para ficar mais claro.
Exemplo: alt text para imagens
Imagine a seguinte situação: você está navegando em um site e, no lugar de cada figura, ouve apenas a palavra “imagem”. Sem contexto, significado ou qualquer outra informação do que está ali.
Isso acontece quando publicamos imagens sem alt text — breve descrição do que há na foto para que o leitor consiga ler. Mas, além de adicioná-lo, é preciso comunicar o que importa de forma direta e descritiva.
Vamos fazer um exercício?

Considerando a deficiência visual, você não sabe o que está na imagem acima, mas consegue imaginar do que ela se trata por meio deste alt text: “imagem de uma pessoa sentada usando o celular”. Acredito que a sua resposta seja sim, afinal, é fácil de pensar na situação.
Porém, e se eu te contar que o alt text ideal dela deveria ser: “Mulher idosa com expressão de preocupação segurando um celular; a tela mostra uma mensagem de erro sem explicação”. A ilustração na sua mente se tornou outra, não?

Fonte: elaborada pela autoria com o auxílio do ChatGPT (2026)
Agora que você sabe exatamente como é a foto de referência, é possível perceber que a primeira sugestão de alt text estava simples demais para explicar o contexto. Já a segunda opção trouxe o que realmente importava para o entendimento, ainda mantendo poucas palavras.
O objetivo desse exercício é mostrar que não basta apenas tentar incluir recursos de acessibilidade na comunicação digital; é preciso saber como fazer isso com intencionalidade.
Leia também: Boas práticas para otimização de imagens — como escolher, formatar e otimizar?
Como as empresas podem ser mais inclusivas?
Além do exemplo acima, em que apresentamos a importância do alt text, existem outras ações que as empresas com atuação digital, independentemente do segmento, podem começar a adotar, como:
- Legendas e transcrições em vídeos: pessoas com deficiência auditiva dependem de legendas para acessar conteúdo em vídeo.
- Contraste e tipografia: textos com contraste insuficiente entre cores da fonte e do fundo são inacessíveis para pessoas com baixa visão.
- Linguagem clara e acessível: frases curtas, estrutura lógica e vocabulário acessível ampliam o alcance de qualquer conteúdo, especialmente para pessoas com deficiência intelectual, dislexia ou baixa escolaridade.
- Linguagem inclusiva e neutra: o uso de linguagem que não impõe gênero, termos capacitistas e que representa a diversidade de quem acessa o conteúdo.
- Navegação por teclado e compatibilidade com leitores de tela: sites e plataformas digitais precisam funcionar para quem não usa mouse. Isso envolve ordem lógica de foco, botões com rótulos descritivos e formulários bem estruturados.
- Documentos acessíveis: PDFs, apresentações e planilhas publicados pela empresa podem ser mais acessíveis com a adoção de textos alternativos em imagens e estrutura lógica de leitura.
- Trabalho remoto como prática de inclusão: este modelo de trabalho elimina barreiras de mobilidade urbana, permite adaptação do ambiente de trabalho às necessidades individuais e abre a empresa para talentos de qualquer região do país.
Vale a pena reforçar que adotar a acessibilidade digital não exige uma reformulação completa da empresa. É possível começar aos poucos, uma ação de cada vez — o que não podemos fazer é continuar deixando as pessoas com deficiência de lado.
Leia também: Mês do Orgulho LGBTQIA+ — por que isso importa o ano todo
Como a Ecto está caminhando nessa direção?
Na Ecto, a conversa sobre acessibilidade digital não é nova. Algumas práticas já fazem parte do nosso dia a dia, como imagens com alt text, vídeos com legendas e atenção à linguagem inclusiva nos artigos de blog.
Carol Picolo, líder do setor de Conteúdo da Ecto, é a principal representante e revisora da linguagem neutra e acessível em nossos materiais — postura essa que influencia a forma como nos comunicamos há bastante tempo.
“Recentemente, fiz um curso da Enap sobre inclusão de gênero na língua, e uma ideia ficou comigo: a língua nunca foi neutra — ela decide quem aparece no texto e quem vira coadjuvante da própria história. Trocar “os brasileiros” por “a população brasileira” parece pequeno, mas é assim que a invisibilidade histórica das mulheres começa a ser desfeita. E essa é só a ponta do iceberg: pensar em quem fica de fora de um texto também passa por acessibilidade, por representatividade racial, etária e por tantos outros recortes que a comunicação carrega todos os dias.”
* Curso citado: “Inclusão de gênero na ponta da língua“, concluído pela Enap (Escola Nacional de Administração Pública) em agosto de 2026.
Mas sabemos que práticas pontuais não são suficientes para garantir acessibilidade de forma consistente em todos os canais de comunicação. Por isso, no momento da redação deste artigo, está em andamento um programa interno de acessibilidade digital desenvolvido por mim (Juliana Simões).
A ideia do projeto, que teve início em um debate sobre a realização deste artigo, é trazer mais ações de inclusão para cada área interna da Ecto: Conteúdo, Mídia Social, SEO, Comercial, Mídia Paga, Tecnologia e Design.
O objetivo não é criar uma camada extra de trabalho, mas integrar a acessibilidade ao fluxo já existente de produção e entrega. Algumas ações já mapeadas são:
- Checklist de publicação que inclui alt text descritivo em todas as imagens.
- Design que contempla contraste adequado entre texto, cores e uso de fontes sem serifa.
- Roteiro de vídeo que já prevê legenda descritiva desde a produção.
- Links descritivos em vez de “clique aqui” ou “saiba mais”, que não comunicam nada para quem usa leitor de tela.
O nosso projeto está em construção — e essa transparência faz parte do processo. Afinal, acessibilidade digital não é uma tarefa com data de encerramento; é uma prática contínua que exige revisão e aprendizado constante.
Leia também: Tom de voz na comunicação — o que é e qual a sua importância
Podemos concluir que a acessibilidade digital acontece quando as escolhas do dia a dia, seja no texto que escrevemos, na imagem que publicamos ou no vídeo que produzimos, são pensadas para alcançar todo mundo. E a data de 21 de setembro existe para nos lembrar disso.
A Ecto está nesse caminho, aprendendo junto com o mercado e construindo esse processo de forma aberta. Se a sua empresa também quer avançar nessa direção e ter uma parceria que se preocupa com todos os públicos, fale com nossa equipe.
Podemos te ajudar a construir uma presença digital mais acessível, do conteúdo à tecnologia, com estratégia e responsabilidade, e sem deixar ninguém de fora.
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Imagem de capa — Fonte: fabrikasimf – Magnific.com







